
Por: Frei Flávio Martins, OFMConv.
No
dia 17 de setembro a Família Franciscana celebra a festa da impressão das
chagas de São Francisco. Um marco para a vida desse santo e para a história
franciscana. Sabemos que desde o inicio de sua caminhada vocacional o Cristo
crucificado sempre esteve presente na vida de Frei Francisco. Desde o ouvir da
cruz: Vai e reconstrói a minha Igreja, quanto
ao fazer misericórdia com os leprosos, o jovem de Assis vai buscando uma
configuração ao Cristo pobre, humilde e crucificado.
Em
1220 Francisco renuncia ao cargo de Ministro Geral e será eleito Frei Pedro
Cattani, mas esse morre pouco tempo depois. Quem irá suceder Frei Pedro será
Frei Elias. Em 1223 teremos a aprovação da Regra (Regra Bulada). Desde os anos
de 1220, Francisco passa por alguns algumas tribulações sejam essas causadas por doenças, mas
principalmente pela condução da Ordem cada vez mais apostólica e com
privilégios da cúria romana. Nessa época teremos um Frei Francisco desanimado,
irritado, amargo no relacionamento com os frades e tem até a tentação de
abandonar ao movimento que fundara. No ano de 1224, juntamente com outros
irmãos, parte para o Monte Alverne em preparação à festa dos Arcanjos.
No
livro intitulado das cinco considerações
sobre os estigmas de São Francisco de Assis, diz que Francisco rezava: Senhor Deus, que será depois da minha morte
de tua família pobrezinha, a qual por tua benignidade foi entregue a mim
pecador¿ E apareceu um anjo que lhe responde [...] e não te contristes se na tua religião vires alguns frades não
bons, os quais não observam a Regra como devem, e não penses também que esta
Religião acabe, porque nela sempre haverá muitos e muitos os quais observarão
perfeitamente a vida do Evangelho de Cristo e a pureza da Regra [...]
Francisco
supera a sua grande “tentação”. Aquele gesto que fizera diante de seus pais e o
bispo, onde despojou-se para dar o primeiro passo, agora no Alverne ele é capaz
de novamente entregar-se confiantemente a Deus sua vida e da sua Ordem. No
Alverne Francisco alcança o cume de sua paixão. Assim como Cristo está no monte
Calvário sendo crucificado, agora Francisco também num Monte sofrendo as mesmas
dores. Frei Francisco realmente é um Outro Cristo. Ele é o servo crucificado do
Senhor Crucificado.
Esse
fato demonstra que Francisco encarnou em si a Regra Franciscana. Ele desce o
monte, mas não trás tábuas ou regras em sua mão, mas no seu próprio coração
trás a sua intuição de viver o Evangelho. Ele desce pacificado e reconciliado
consigo mesmo. Ele sabe que ainda deverá sofrer por causa da Ordem, mas agora
não vive ressentindo pelas opções de seu movimento, mas antes é agradecido a
Deus pelo caminho que ele fez junto com seus irmãos. Esse homem pacificado e
estigmatizado, prossegue no seu testemunho evangélico, sempre alimentado pelo
próprio relacionamento pessoal com Deus: o relacionamento pessoal que se
manifestara em sua plenitude no Monte Alverne.