
Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a Vós, filha e serva do altíssimo Rei e Pai celestial, Mãe do Santíssimo Senhor Jesus Cristo e esposa do Espírito Santo; rogai por nós com São Miguel Arcanjo e todos os anjos e santos do céu junto ao vosso santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre! Amém.
Essa é uma oração que São Francisco faz a Maria. Ela é considerada como Filha e Serva. Aqui percebemos a relação e a visão de Francisco sobre a Mãe de Deus. Em relação ao Pai ela é Filha e serva. Dentro dessa interpretação entendemos a sua resposta ao Anjo “eis aqui a serva...”. A vocação franciscana sempre nos remete aos últimos lugares. Imitar Maria num primeiro momento é pôr-se numa condição de servidão e de total dependência de Deus e ao seu caminho em nossa vida. Mas também somos filhos e participantes da graça redentora de Deus para a humanidade com o nosso Sim. E é isso que Deus espero de nós: uma abertura ao seu chamado e na liberdade fazer a experiência dessa dependência de Deus. Cabe a Deus o primado da honra e do nosso chamado e a nós, como em Maria, o de se abrir cada vez mais a Ele.
Maria também é Mãe de Jesus. No seu sim, ela assume essa maternidade. O Filho supera a mãe, pois ele é Santíssimo Senhor Jesus Cristo. Clara vai escrever para Inês de Praga que elas carregam em seu ventre também Aquele que Maria trouxe em seu ventre. Isso só é possível através do Sim. Quanto maior o espaço que damos para Deus em nosso vida, mais ficamos grávidas (os) e somos capazes de trazer o filho de Maria ao mundo. Ele já não pertence apenas a Mãe, pois agora ele é de toda humanidade.
Em relação ao Espírito Santo ela é a esposa. O Espírito irá vir ao seu encontro, diz o Anjo. O Espírito vem também para a Igreja nascente e faz essa união mística-esponsal. Em Maria temos a dimensão trinitária e missionária que Francisco via no mundo. Maria já realizou a sua vocação, por isso nós a louvamos.
Aquele que, contempla Maria num olhar trinitário, aprende a vê-la dentro de si, recebe uma imagem positiva de si mesmo, de suas possibilidades e de suas capacidades. Quantas vezes pensamos mal de nós mesmos, gostaríamos de nos jogar fora porque parece que não temos nada de bom. Precisamos saber que somos pessoalmente interpelados por Deus e por ele chamados. Temos um núcleo bom, disposto a receber Deus e capaz de fazer o bem. E assim proclamamos como Maria: “ele olhou a pequenez de sua serva(o)”.
Frei Flávio Venâncio, OFMConv.