
Na continuidade da reflexão de nosso EAD vocacional, depara-se com um tema muito propício para o mês junho: A vocação missionária de Santo Antônio, santo que a Igreja recorda no dia 13 de junho.
A vocação missionária, porém, começa muito antes de Antônio. Pode-se dizer que Deus é o missionário por excelência, pois, afinal, é Ele que por primeiro vai ao encontro do ser humano, convidando-o a fazer parte de sua vida. Cria por amor (AG 2), por amor entrega o Filho (Jo 3,6) e envia o Espírito Santo, pelo qual o amor é derramado nos corações (Rm 5,5). Impulsionada pelo Espírito, a Igreja continua na história a ação de Cristo, pelos sacramentos, pela Palavra e por seu testemunho de ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14). Desta forma, a mensagem de Jesus pode chegar a inúmeros corações, suscitando neles a resposta da fé e fazendo-os discípulos-missionários do Senhor.
Os santos são aqueles que, tocados por Deus, dão a Ele uma resposta de amor, capaz de ser levada até mesmo às últimas consequências. Os santos não são homens e mulheres prontos, mas são pessoas que, vivendo suas lutas interiores e exteriores no cotidiano, vão aprendendo a cada vez mais permitir que Deus neles faça novas todas as coisas (Ap 21,5). Pouco a pouco vão tornando suas vidas semelhantes à de Jesus, de tal modo suas existências passam a ser um sinal vivo de que Deus não se esqueceu da humanidade. Santo Antônio é um destes santos que foi um dos homens que, em seu tempo, escutou o chamado de Deus e a Ele correspondeu com todas as suas forças.
Fr. Antônio é seu nome como religioso franciscano. No Batismo, havia recebido o nome de Fernando. Nasceu em Lisboa e faleceu em Pádua, o que lhe fez ser conhecido como Santo Antônio tanto de uma quanto de outra localidade. Não se tem certeza sobre a sua data de nascimento, mas estima-se entre 1188 e 1195. Discernindo o chamado de Deus em sua história, ingressa nos Cônegos Regulares de Santo Agostinho em 1210. A visita constante de seus parentes leva-o a pedir para ir à Coimbra, o que lhe é concedido. Em Coimbra encontra um ambiente mais favorável ao estudo.
Fernando é um homem estudioso, mas que não possibilitou que o orgulho do falso saber se enraizasse em seu coração. Ele continuou, embora não sem dificuldades, com os ouvidos atentos ao sopro do Espírito. Em uma certa ocasião do ano de 1219, quando São Francisco prosseguia a enviar os frades para diversas regiões, o jovem Fernando tem contato com o testemunho de homens que deixaram suas terras para viver e morrer pelo Evangelho: Berardo, Pedro, Adjuto, Acúrsio e Otão. Esses frades vão a Marrocos pregar o Evangelho, mas voltam martirizados, o que chama muito a atenção de Fernando, já despertada por se atentar ao modo simples com o qual estes homens viviam. O martírio dos mencionados franciscanos leva Fernando a se questionar e, após um período de discernimento no Senhor, pede para ingressar para a vida franciscana.
Na vida franciscana também viverá frustrações, como é comum em toda caminhada vocacional. Fernando, que na Ordem franciscana recebe o nome de Antônio, sente ardorosamente o desejo do martírio, mas não é isso que Deus reserva para ele. Neste ponto, Frei Antônio aprenderá cada vez mais a humildade e a obediência ao Senhor que o havia chamado. Deus, ao invés, fará dele um grande pregador do Evangelho e um grande defensor da fé, a qual expõe com clareza e profundidade, convencendo da verdade inclusive seus adversários. Diversos milagres são a ele atribuídos, quer em vida que após sua passagem à eternidade.O que marca na vida de Frei Antônio é sua sabedoria, fruto de sua vida de intimidade com Deus em sua Palavra, consignada nas Sagradas Escrituras (Bíblia). Ele também conseguiu unir o rigor do estudo à simplicidade da pregação, de tal modo que muitos acorriam para ouvi-lo, pois conseguiam compreender suas palavras. Ele também se mostra como santo devotíssimo da Eucaristia e da Virgem Maria. Não teme defender a humanidade de Jesus e a fé mesmo em meio a um ambiente onde muitos se distanciavam, por diversas razões, da vida cristã. Frei Antonio também mostra sua voz profética, denunciando a usura e a exploração dos mais fracos.
Sua vida se constitui como uma grande confirmação de suas palavras. Sua coerência faz com que suas pregações penetrem no interior dos ouvintes, transformando-se em um grande apelo à conversão. Dedica-se a atender confissões, fazendo-se ministro da misericórdia e do juízo amoroso de Deus, que sempre quer a salvação do ser humano.Em suma, a vida de Frei Antônio se desdobra em um constante gastar-se por Deus, pela Igreja, pelos irmãos que Deus lhes confiou e por homens e mulheres de seu tempo, sedentos de escutar a Palavra de Deus e perceber testemunhos que verdadeiramente atraiam para uma vida nova. Neste entregar a sua vida até o fim, Frei Antônio encontra sua realização enquanto vocacionado do senhor. Que sua vida sirva como testemunho de que se entregar por um projeto profundo de vida, ainda que isso exija um constante doar-se, realiza muito mais do que a ilusão de guardar a própria vida para si mesmo. Que sua intercessão também auxilie para que cada vocacionado possa fazer de sua vida um “sim” generoso e transformador.
Fr. Antônio Felipe de O. Zago, OFMConv
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Na continuidade da reflexão de nosso EAD vocacional, depara-se com um tema muito propício para o mês junho: A vocação missionária de Santo Antônio, santo que a Igreja recorda no dia 13 de junho.
A vocação missionária, porém, começa muito antes de Antônio. Pode-se dizer que Deus é o missionário por excelência, pois, afinal, é Ele que por primeiro vai ao encontro do ser humano, convidando-o a fazer parte de sua vida. Cria por amor (AG 2), por amor entrega o Filho (Jo 3,6) e envia o Espírito Santo, pelo qual o amor é derramado nos corações (Rm 5,5). Impulsionada pelo Espírito, a Igreja continua na história a ação de Cristo, pelos sacramentos, pela Palavra e por seu testemunho de ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14). Desta forma, a mensagem de Jesus pode chegar a inúmeros corações, suscitando neles a resposta da fé e fazendo-os discípulos-missionários do Senhor.
Os santos são aqueles que, tocados por Deus, dão a Ele uma resposta de amor, capaz de ser levada até mesmo às últimas consequências. Os santos não são homens e mulheres prontos, mas são pessoas que, vivendo suas lutas interiores e exteriores no cotidiano, vão aprendendo a cada vez mais permitir que Deus neles faça novas todas as coisas (Ap 21,5). Pouco a pouco vão tornando suas vidas semelhantes à de Jesus, de tal modo suas existências passam a ser um sinal vivo de que Deus não se esqueceu da humanidade. Santo Antônio é um destes santos que foi um dos homens que, em seu tempo, escutou o chamado de Deus e a Ele correspondeu com todas as suas forças.
Fr. Antônio é seu nome como religioso franciscano. No Batismo, havia recebido o nome de Fernando. Nasceu em Lisboa e faleceu em Pádua, o que lhe fez ser conhecido como Santo Antônio tanto de uma quanto de outra localidade. Não se tem certeza sobre a sua data de nascimento, mas estima-se entre 1188 e 1195. Discernindo o chamado de Deus em sua história, ingressa nos Cônegos Regulares de Santo Agostinho em 1210. A visita constante de seus parentes leva-o a pedir para ir à Coimbra, o que lhe é concedido. Em Coimbra encontra um ambiente mais favorável ao estudo.
Fernando é um homem estudioso, mas que não possibilitou que o orgulho do falso saber se enraizasse em seu coração. Ele continuou, embora não sem dificuldades, com os ouvidos atentos ao sopro do Espírito. Em uma certa ocasião do ano de 1219, quando São Francisco prosseguia a enviar os frades para diversas regiões, o jovem Fernando tem contato com o testemunho de homens que deixaram suas terras para viver e morrer pelo Evangelho: Berardo, Pedro, Adjuto, Acúrsio e Otão. Esses frades vão a Marrocos pregar o Evangelho, mas voltam martirizados, o que chama muito a atenção de Fernando, já despertada por se atentar ao modo simples com o qual estes homens viviam. O martírio dos mencionados franciscanos leva Fernando a se questionar e, após um período de discernimento no Senhor, pede para ingressar para a vida franciscana.
Na vida franciscana também viverá frustrações, como é comum em toda caminhada vocacional. Fernando, que na Ordem franciscana recebe o nome de Antônio, sente ardorosamente o desejo do martírio, mas não é isso que Deus reserva para ele. Neste ponto, Frei Antônio aprenderá cada vez mais a humildade e a obediência ao Senhor que o havia chamado. Deus, ao invés, fará dele um grande pregador do Evangelho e um grande defensor da fé, a qual expõe com clareza e profundidade, convencendo da verdade inclusive seus adversários. Diversos milagres são a ele atribuídos, quer em vida que após sua passagem à eternidade.
O que marca na vida de Frei Antônio é sua sabedoria, fruto de sua vida de intimidade com Deus em sua Palavra, consignada nas Sagradas Escrituras (Bíblia). Ele também conseguiu unir o rigor do estudo à simplicidade da pregação, de tal modo que muitos acorriam para ouvi-lo, pois conseguiam compreender suas palavras. Ele também se mostra como santo devotíssimo da Eucaristia e da Virgem Maria. Não teme defender a humanidade de Jesus e a fé mesmo em meio a um ambiente onde muitos se distanciavam, por diversas razões, da vida cristã. Frei Antonio também mostra sua voz profética, denunciando a usura e a exploração dos mais fracos.
Sua vida se constitui como uma grande confirmação de suas palavras. Sua coerência faz com que suas pregações penetrem no interior dos ouvintes, transformando-se em um grande apelo à conversão. Dedica-se a atender confissões, fazendo-se ministro da misericórdia e do juízo amoroso de Deus, que sempre quer a salvação do ser humano.
Em suma, a vida de Frei Antônio se desdobra em um constante gastar-se por Deus, pela Igreja, pelos irmãos que Deus lhes confiou e por homens e mulheres de seu tempo, sedentos de escutar a Palavra de Deus e perceber testemunhos que verdadeiramente atraiam para uma vida nova. Neste entregar a sua vida até o fim, Frei Antônio encontra sua realização enquanto vocacionado do senhor. Que sua vida sirva como testemunho de que se entregar por um projeto profundo de vida, ainda que isso exija um constante doar-se, realiza muito mais do que a ilusão de guardar a própria vida para si mesmo. Que sua intercessão também auxilie para que cada vocacionado possa fazer de sua vida um “sim” generoso e transformador.
Fr. Antônio Felipe de O. Zago, OFMConv
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