Artigos, Destaques, Província › 13/06/2017

Santo Antônio e a Viúva pobre: Pistas para um agir cristão

“Santo Antônio, Pregador do Evangelho, tanta gente escutou a tua voz, aproxima da verdade o nosso tempo, Santo Antônio roga a Deus por todos Nós”. (Refrão de uma canção a Santo Antônio)

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Santo Antônio, Doutor do Evangelho soube como poucos, encarnar, testemunhar o Evangelho verdadeiramente em seu tempo. Em seus sermões o frade Antônio conseguiu expressar belamente as palavras do Senhor, e sobretudo, usou de palavra breve como exortava caridosamente São Francisco aos frades na Regra Bulada, Capítulo IX.

Entretanto, como entender atualmente a profundidade do pensamento de Santo Antônio? Ressoa ainda em nosso contexto, especialmente no Brasil, a denúncia que Antônio fez a sociedade de sua época, alertando para o retorno à justiça social? Quais são as vozes que nós brasileiros estamos ouvindo? Somos guiados por quem?

A fala profética de Frei Antônio nas pregações pode-se dizer que é uma riqueza inestimável. Por isso, o valor da pregação de Santo Antônio é sem dúvida os pobres! É para Eles que devemos orientar nosso olhar de fé!

A partir do cenário italiano da época de Antônio, o Santo falava sem medo, com voz forte, apontando para as injustiças sociais de então, argumentava contra os usurários, homens que emprestavam dinheiro a outros e posteriormente cobravam juros altos, e assim, os mais pobres não podiam pagar tal quantia, sofriam vários danos. Aqui está a dureza e realidade da pregação de Santo Antônio, resume-se em falar a verdade.

Antônio não se conforma com esta situação, pois muitos pais são lançados na cadeia pública por não ter condições de pagar. E logo seus filhos e esposas ficam literalmente jogados a própria sorte. Eis o retrato de uma sociedade injusta. Mas, não basta apenas denunciar, Santo Antônio encontra uma saída. Decidi ajudar os mais sofridos, necessitados com soluções possíveis. Um dia dirige-se aos poderosos de Pádua, com a graça de Deus consegue restituir a liberdade dos prisioneiros, o qual permite que os prisioneiros por dívidas sejam liberados.

Neste rápido episódio da vida de Santo Antônio, percebe-se um homem sensível aos sinais de seu tempo, atento à sociedade em que vive, não alienado em sua redoma de vidro, encastelado em seu próprio eu. Aproxima-se a festa de Santo Antônio, um momento feliz e alegre que muitas comunidades antonianas celebrarão com estima. Pois, seria importante rever a prática cristã que nos move, se de fato estamos orientados a partir da caridade de Cristo, ou se a nossa fé não é condicionada a aplausos, vantagens ou confetes.

Mas, ao olharmos para Santo Antônio, de repente nos surpreendemos que a justiça social também passa pelas minhas e pelas suas mãos, na doação humilde de quem não tem muita coisa para oferecer, como aquela viúva do Evangelho (Lucas 21, 1-4) que deu tudo o que tinha com coração e foi elogiada por JESUS. Este deve ser o nosso agir cristão: o que tenho nada é meu, por isso posso compartilhar com você.

Paz e bem, Viva Santo Antônio!

 

Frei Arnaldo Cesar Rocha, OFMConv.

 

 

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