Artigos, Destaques, Província › 23/01/2018

A QUEM EU TE ENVIAR, IREIS!

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O movimento missionário nasce de um profundo encontro com aquele que verdadeiramente dá sentido às nossas vidas. Um encontro com aquilo que transforma nossas lágrimas em sorrisos, nossas vestes de luto em vestes de festa. Nasce do encontro com aquele que dá vista ao cego e transforma a água em vinho. Um encontro sincero com o Cristo Ressuscitado, que transforma de uma vez por todas as nossas vidas. Essa mudança não pode, e não deve, ficar enclausurada debaixo de um coração egoísta, mas deve ser partilhada com o mundo que clama em alta voz por esse mesmo Jesus que um dia conhecemos.

Essa semana saímos totalmente de nossas comodidades, dormimos em casas diferentes e andamos numa cidade que não é a nossa, fizemos algo que, infelizmente, não fazemos todos os dias: pregamos o Evangelho.  Agora vemos que não dava pra ficar a vida inteira presos entre quatro paredes enquanto o mundo precisa da nossa disposição. Hoje fazemos aquilo que nos pede o Papa Francisco: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo. (…) Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer»”

Nesses dias de missão tivemos a oportunidade, não unicamente de anunciar Aquele que nos trouxe aqui em Ubatuba, mas de novamente nos encontrarmos com Ele. Encontramos nas lágrimas da Dona Maria. No sorriso do Seu Zé, que mesmo com tantas adversidades não perdeu a alegria. Encontramos enquanto nos divertíamos. Encontramos nas partilhas. Encontramos no Pedrinho, que nos olhava com tanta curiosidade. Encontramos quando rezamos juntos. Encontramos naquela casinha, enfiada no meio do mato, onde moravam pessoas tão cheias de amor. Encontramos no cansaço no fim do dia. Em todo tempo Jesus estava ali, sendo anunciado e novamente nos transformando.

Somos tão jovens, mas ouvimos a voz de Deus e respondemos dizendo: “Onde mandar, ireis” e optamos por passar uma semana aqui no litoral, batendo de porta e porta. 

Desculpa cidade de Ubatuba, creio que fizemos um pouco de barulho, mas geralmente é assim que acontece quando nos reunimos. Provavelmente gaguejamos muito, desculpe. Perdoe se não conseguimos passar em todas as casas. Mas obrigado por nos acolher e, principalmente, obrigado por nos mostrar Jesus escondido por essas belas paisagens. Essa semana ficará marcada eternamente nas nossas memórias.

Quando voltarmos para casa levaremos na memória e no coração grandes irmãos. Levaremos nas bolsas um “velho eu”, que preferia fechar os olhos a tantas pessoas que só precisavam de um sorriso. Levaremos nos pés o cansaço de caminhar debaixo do sol anunciando a Boa Nova. Levaremos os abraços apertados, as risadas calorosas e as lágrimas sinceras. Levaremos essa mensagem de Paz e de Bem. E principalmente, levaremos para nosso dia a dia uma preciosa lição que aprendemos com São Francisco: Pregue o Evangelho todo o tempo, se necessário, use palavras

Lucas dos Santos  (Postulante, 2º ano de Filosofia)

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