Destaques, Notícias, Província › 11/08/2017

A Espiritualidade de Santa Clara

 

Nesse dia em que celebramos a nossa Seráfica Mãe – Santa Clara – iremos, através desse texto, perceber o caminho de Clara a partir de sua caminhada espiritual que ela deixa para nós franciscanos. A espiritualidade de Clara em 5 pontos (que na verdade é sua mística contemplativa)

ENCONTRAR CRISTO: a primeira etapa que Clara deixa para nós franciscanos é do encontro com Cristo. Conhece-lo sob o prisma da fé, seguir seu caminho, sua vida e suas virtudes. O encontro com Cristo é a base dum início para o percurso de contemplação porque exprime a vontade e a determinação da fé de estar totalmente unida ao Senhor.

VER CRISTO: A segunda etapa da contemplação em Clara é representada pelo ver o Cristo e o seu mistério.  Não se trata de um simples olhar a vida terrena do Redentor, mas de ter uma progressiva consciência de sua vida, do Evangelho, ou seja, do que é essencial para alcançar uma comunhão com Ele. Devemos buscar esse olhar/ver particularmente vendo o sofrimento de Jesus que por amor a humanidade permitiu que fosse objeto de desprezo e escárnio, ou seja, ver o mistério quenótico de Jesus. Aqui já começamos a perceber quem é o Esposo de Clara e o início de sua mística esponsal.  Se trata de ver o essencial, das coisas, ou duma pessoa, e nesse olhar perceber o mistério que aí está escondido. Em seu Testamento a Santa insiste que devemos olhar a nudez de Cristo do seu nascimento até sua morte: esta é a pobreza que ela guarda em sua comunidade, uma vez que é real e o homem participa com Jesus em sua corporeidade, em seus sentimentos e em sua humilhação. Finalmente, podemos dizer que a contemplação está ligada ao olhar. Esse olhar representa um estágio introdutivo, de modo que as coisas práticas da vida e concreta de todos os dias, possam ser um canal para uma comunhão cada vez mais perfeito com ele por aqueles que consagraram ao Senhor e ao seu serviço

MEDITAR: O terceiro grau da contemplação é representado pela meditação. Que significa entrar cuidadosamente sobre o que a pessoa já vem refletindo longamente. Não apenas admirar o despojamento e glória de Jesus, mas é necessário para entrar nesta realidade, aprofundá-los e conquista-los. O objeto de meditar de Clara é constituído principalmente pela paixão e a cruz do senhor. Clara faz sua meditação aprofundando a Palavra de Deus, que ocorre principalmente através de ouvir sermões e na reflexão constante, ajudada pelo silêncio do claustro pode se concentrar sobre os mistérios de Cristo em sua existência de pessoa consagrada. As atividades do cotidiano dão uma sensibilidade duma visão tomada de mistérios divinos. Porém é necessário debruçar sobre tais acontecimentos eles por meio duma meditação prolongada. O objeto desta meditação é representado essencialmente pela cruz do Senhor e os seus sofrimentos pela salvação da humanidade.

CONTEMPLAR O CRISTO:  o quarto grau é representado pela contemplação, ou seja, o admirar o tudo que foi encontrado, visto e meditado: Jesus Cristo e seu sofrimento vivido pela salvação do homem. Clara nos ensina a entrar no mistério sobre o qual ela pensou e encontrar nela as razões mais profundas para a sua existência. Esta etapa envolve toda a pessoa e é preparatória para a imitação do Senhor que é pobre, humilde e crucificado.

Desta forma, a Santa trata de considerar e aprender, cada vez mais plenamente o mistério de Cristo em sua totalidade: ela começa desde Encarnação do Senhor, na sua vida pública, sua kenosis, a sua glória. Nesta fase o caminho progressivo da penitência e do despojamento permite que a consagrada viva em total liberdade e leveza interior: é a experiência com o sofrimento e a contemplação de Jesus crucificado e em compartilhar sua paixão. Além disso, nas palavras e escritos da nossa santa notamos um ardor crescente porque ela expressa a alegria, o entusiasmo, a exultação do viver em Cristo: não encontramos nela reflexões sobre os aspectos negativos, como o mal e do pecado, apesar de frequentes no tempo em que ele vive, mas ela tem uma grande alegria em viver sua vocação, pois contempla a vida em Jesus.

 

IMITAR CRISTO: A última etapa de contemplação é representada pela imitação a Jesus Cristo. Para a Santa não é suficiente encontrar, olhar, meditar e contemplar o Senhor em seu itinerário de despojamento, mas é fundamental para seguir os passos de Jesus para imita-lo fielmente e radicalmente. Em última instância, a contemplação, de acordo com a maneira de viver de Clara e dos diversos testemunhos, chama a virgem consagrada a seguir e imitar Cristo em todos os acontecimentos da vida terrena, especialmente em tempos de dor e com a perspectiva de glória eterna.

 

 

Por Frei Flávio Martins Venâncio, OFMConv.

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